Por que SPDA não é item opcional em Goiás
O Brasil lidera as estatísticas mundiais de incidência de descargas atmosféricas, e o Centro-Oeste concentra parte relevante desses eventos, especialmente entre outubro e março. Uma descarga direta ou mesmo uma indução em cabo próximo é suficiente para destruir quadros de comando, CLPs, inversores e centrais telefônicas de uma planta inteira.
A NBR 5419, revisada em 2015, mudou a lógica da norma anterior: hoje o ponto de partida é a análise de risco (parte 2), que compara o risco calculado da edificação com o risco tolerável. O projeto do SPDA deixou de ser uma receita padronizada e passou a ser o resultado desse cálculo. Isso significa que sistemas instalados antes da revisão frequentemente não atendem à norma vigente.
Há ainda o componente de responsabilidade civil e securitária. Em sinistro por descarga atmosférica, a seguradora avalia se a edificação possuía SPDA em conformidade e laudo válido. A ausência do laudo é motivo recorrente de negativa de cobertura.
O que o sistema precisa ter para funcionar
Um SPDA completo se apoia em três subsistemas. O de captação intercepta a descarga por método Franklin (hastes), Gaiola de Faraday (malha condutora) ou esferas rolantes, conforme o nível de proteção calculado. O de descida conduz a corrente ao solo por caminhos múltiplos e equidistantes. O de aterramento dissipa a energia no solo com resistência adequada.
O elo mais negligenciado é a equipotencialização. Se as massas metálicas, tubulações, estruturas e o aterramento do sistema elétrico não estiverem interligados a uma barra de equipotencialização principal, surgem diferenças de potencial durante a descarga, e é isso que danifica equipamentos e coloca pessoas em risco, mesmo com captores instalados corretamente.
Completa o conjunto a proteção contra surtos (DPS), instalada em estágios coordenados no quadro geral e nos quadros secundários. Sem DPS, a corrente induzida encontra o caminho pelos condutores de energia e dados, ignorando completamente o SPDA externo.
Aterramento e medição de resistividade
A malha de aterramento é dimensionada a partir da estratificação do solo, obtida pelo método de Wenner. Em solos de alta resistividade, comuns em áreas de cerrado com terreno arenoso e seco, hastes isoladas não atingem os valores exigidos, sendo necessário malha, hastes profundas ou tratamento químico do solo.
Realizamos a medição de resistência de terra com terrômetro calibrado e emitimos o relatório com os valores medidos, a metodologia aplicada e a comparação com o valor exigido pela norma. Essa medição deve ser repetida periodicamente, já que a resistência varia com a umidade e com a corrosão dos eletrodos.

